QUANDO UM AMOR SE VAI |
| Postado por LEDA YARA MOTTA MELLO (41601) em 18/01/2009 às 01:35 |
QUANDO UM AMOR SE VAI
Lêda Mello
O momento em que um amor de despede é diferente de qualquer outro que alguém já tenha vivido. Refiro-me àquela despedida que acontece quando a decisão está amadurecida por todas as circunstâncias vividas, e quando já se esgotaram todas as possibilidades. É um momento solene.
Ao longo do processo, não percebemos a transformação. É muito sutil. Enquanto vislumbramos uma possibilidade, o sentimento está imerso na esperança e pronto para vivenciar, gloriosamente, uma nova oportunidade. À medida que os insucessos vão se acumulando, o amor vai saindo, devagar, da nossa vida, até que, um certo dia, olhando o relacionamento sob todos os ângulos, vemos que o estoque de possibilidades está esgotado.
No primeiro instante, ficamos um tanto perplexos e perdidos diante da constatação: ruiu a ponte que ligava dois universos. Nada mais a fazer. Nada mais a dizer. Qualquer gesto, qualquer palavra mergulhará no nada que vem depois da despedida. Sentimos tristeza. Afinal, estamos fechando um ciclo importante no qual a afetividade foi exercitada, permeando de sonhos e de esperanças cada minuto da nossa vida.
À medida que o tempo vai passando, começamos a enxergar aspectos do relacionamento que antes não queríamos ver. As mágoas que relevamos, os constrangimentos que desculpamos, em alguns casos, o descaso ou o desrespeito com que o nosso amor foi tratado são cenas que aparecem na tela da nossa mente, como numa seqüencia de filme. Repassamos, então, o que foi a nossa conduta durante aquele trajeto e percebemos as situações injustas que permitimos que acontecessem conosco enquanto insistíamos nas nossas possibilidades.
Neste ponto, tomamos consciência de um fato importante: o verdadeiro amor não morre, nem mesmo muda. Permanece intacto. Mas intacto no seu tempo. Naquele espaço de tempo em que foi vivenciado a dois. Nós é que mudamos. Começamos, então, o retorno ao nosso próprio centro e, em alguns casos, a recuperar a dignidade e o respeito próprios que estiveram esquecidos enquanto acreditávamos nas possibilidades. Sem mágoas, respeitamos o direito de escolha do outro e voltamos a sentir orgulho de nós mesmos!
Estamos livres! O desatar dos nós que nos prendiam a um vir-a-ser que não foi nos proporciona a serenidade do reencontro com o nosso eu interior, com o equilíbrio e com a alegria de viver. Somos nós mesmos, inteiros e muito melhores do que antes. É o benefício equivalente de qualquer experiência de vida.
Arapiraca (AL) - Brasil
Lêda Yara Motta Mello
Terapeuta e Orientadora Educacional
ledayara@terapeutaholistica.com.br
http://ledayara.terapiaholistica.net/
Comments
| Quando um amor se vai | Por: Desconhecido on 18/01/2009 at 14:39 |
| PARABÉNS!!! CONGRATULATIONS!!! VOCÊ ESCREVE MUIITO!!! NESSE POEMA ENTÃO...NOSSA!!! DISSE TUDO QUE EU QUERIA DIZER!!! ESTOU NA CASA DOS CINQUENTA. E JAMAIS, VÍ ALGUÉM ESCREVER, TÃO DIVINAMENTE. LEDA YARA. VOCÊ É SIMPLESMENTE, MARAVILHOSA, FANTÁSTICA COMO ESCRITORA, SÓ LAMENTO, QUE ESTEJAS TÃO LONGE DO RIO DE JANEIRO. VOCÊ NESSE PPS FALOU TUDO QUE EU PRECISAVA DIZER PARA UMA PESSOA, À QUAL AINDA ONTEM, EU AMARGAVA UM SAUDADE IMENSA. |
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